História da Família
Origem:
A história da minha família tem seu início em 01 de Novembro de 1809, numa pequena cidade chamada Maserada Sul Piave, situada na província de Treviso, na região de Vêneto, no norte da Itália. Região onde nasceu Sante Marangon, filho de Antonio Marangon e Orsola Casola. Aliás, Antonio, provavelmente, tenha nascido na própria Maserada Sul Piave, em meados de 1780.
Sante casou-se com Domenica Caner, e pelo que tenho notícias, teve apenas 3 filhos: Angelo, Luigi e Giuseppina. Sante morreu no dia 24 de Junho de 1874, em Breda di Piave.
Luigi Marangon, nascido nesta pequena cidade, no ano de 1843, do signo de Touro, vindo de uma família humilde, conheceu uma jovem ragazza chamada Paola Pavan, por quem se apaixou. Vindo a casar-se aos 23 anos, em 07 de Janeiro de 1866, na pequena comune de Breda di Piave, cidade vizinha de Maserada Sul Piave, que conta, hoje, com aproximadamente 7 mil habitantes.
Do fruto desse amor nasceram 8 filhos, Girolamo 18/02/1866, Giuseppe 17/03/1868, Bonfiglio Beniamino 23/10/1869, Quirino 17/10/1871, Christina 27/01/1874, Margherita Virginia 23/08/1875, Pietro 1878 e Celeste 1880. Sendo que os 6 primeiros, nasceram em Breda di Piave.
Vinda para o Brasil:
Como naquele tempo as coisas não andavam nada fáceis para os italianos, e havendo um grande incentivo do governo para a emigração, Luigi, no auge dos seus 45 anos, com uma experiência de vida de dar inveja e claro, muita coragem, resolveu emigrar para o Brasil, trazendo consigo sua esposa e seus filhos, com exceção de Girolamo, que teve que ficar, pois estava com 21 anos e prestava serviço militar.
Luigi chegou no porto de Santos-SP no dia 23 de maio de 1887, vindo no vapor Provence, que saiu do Porto de Genova, tendo levado, aproximadamente, 20 dias de viagem. Logo que chegaram, foram trabalhar nas fazendas de café no interior de São Paulo, na aconchegante Santa Cruz das Palmeiras. Só um ano depois, em 26 de maio de 1888, chegou Girolamo, com 22 anos, vindo no vapor Orione; Girolamo tinha uma novidade: não vinha sozinho, tinha se casado com Eva Uliana, e junto deles, vinha também a pequena Elvira, com 6 meses de vida, a primeira neta de Luigi.
Desbravando a nova terra:
Ainda não foi encontrado nenhum documento confirmando a ida de Luigi para Santa Cruz das Palmeiras, possivelmente ele tenha ido para uma cidade vizinha.
Na cidade de Santa Cruz das Palmeiras ficou Girolamo, Giuseppe, Bonfiglio, Quirino e Christina. Dizem que a Margherita foi morar na Argentina e nada sei a respeito de seus dois irmãos mais novos, nem sobre Luigi e Paola.
De acordo com as histórias contadas, Girolamo era um italiano muito forte, que falava alto, bravo e valentão, dizem que chegava a assustar sua própria sombra. Entretanto, também tinha seu lado artístico, adorava cantar - diziam que tinha uma voz linda e que cantava tão alto, que sua voz era escutada a quilômetros. Esse lado artístico não ficou restrito apenas ao Girolamo. Giuseppe tinha uma voz de arrebentar, e não pára por ai não, vários netos e bisnetos tocam e cantam até hoje.
No Brasil, Girolamo passou a se chamar Geronimo, Giuseppe ficou conhecido como José, Quirino era chamado de Guerino, Margherita ficou conhecida com Marieta e, assim como todos os outros imigrantes, tiveram ou optaram por alterar seus nomes.
Com o passar dos anos, esses jovens imigrantes foram se casando e tendo seus filhos, além do que, partiam do pressuposto de que quanto mais braços houvesse para o trabalho, mais fácil seria a sobrevivência da família.
Geronimo, teve 11 filhos, a maioria deles nasceu em Tambaú, uma cidade vizinha a Santa Cruz das Palmeiras. Giuseppe também teve 11 filhos, Bonfiglio, Guerino e Marieta tiveram 10 filhos cada um. Cristina teve 8 filhos.
Bonfiglio morou vários anos em Palmeiras, quando resolveu arriscar-se novamente, indo morar na cidade de São Paulo, onde criou raízes e nasceram seus netos, bisnetos e tataranetos. Faleceu no dia 02 de Dezembro de 1949, na capital que o acolheu de braços abertos.
Geronimo se mudou para Porto Ferreira, cidade que fica ao lado de Palmeiras e Tambaú. Foi lá que faleceu no dia 07 de Junho de 1931, com seus 65 anos.
José e Guerino não saíram de Santa Cruz das Palmeiras. José faleceu com 50 anos, no dia 02 de Junho de 1918. Guerino, por sua vez, viveu a vida inteira com Carolina Zuliana, mas foi só em 26 de Dezembro de 1936, que se casaram, e olha que ele estava no auge dos seus 64 anos e com muita vida pela frente, claro que, agora, oficialmente casado. Guerino faleceu no dia 17 de Novembro de 1955.
Suas heranças:
A maior e melhor herança que esses bravos e corajosos italianos poderiam nos deixar é sua história de luta, fibra, garra, desbravamento e também a maravilhosa oportunidade de voltarmos para sua terra natal e desfrutarmos do direito de sermos cidadãos italianos.
Girolamo casado com Eva Uliana, tiveram 11 filhos e no mínimo 75 netos (que temos conhecimento).
Giuseppe casou-se com Amália Sossai, em Descalvado, interior de São Paulo, no dia 03 de Agosto de 1889, tendo com um dos padrinho de casamento, Girolamo Marangon. Tiveram 11 filhos e 37 netos (mas não sabemos nem a metade de seus descendentes).
Bonfiglio foi casado com Ermínia Ulliana, que nasceu em 1869 na comune de Maserada Sul Piave (TV), Casaram-se em 13 de Agosto de 1889, também em Descalvado, tendo também seu irmão Girolamo com um dos padrinhos. Tiveram 10 filhos e mais de 37 netos.
Guerino casou-se com Carolina Zuliani. Tiveram 10 filhos e mais de 82 netos.
![]()
Este é um breve relato das duas primeiras gerações das quais temos conhecimento. Sabemos que ainda existe muita coisa a ser esclarecida sobre esses imigrantes italianos, que traziam consigo não somente a coragem de desembarcar em um país desconhecido, mas também de enfrentar os problemas com um idioma estranho e, muitas vezes, tão complicado. Além disso, a falta de um tostão no bolso e todas as dificuldades vividas naquela época agravavam a situação.
Continuamos em busca de novas informações, de novos primos e primas separados nesta tão bela história e lição de vida deixadas por nossos antepassados.